Abri os olhos com dificuldade, era como se tivesse ficado alguns meses com os olhos fechados, na verdade, era como se tivesse aberto meus olhos pela primeira vez! Sentia um cheiro sufocante de enxofre, mas nada podia ver, eram apenas contornos luminosos, que ofuscavam qualquer possibilidade de enxergar alguma coisa. Eu escutava grunhidos, era alto suficiente para escutar em uma grande distancia, mas não podia definir qual animal era, e repentinamente gritos femininos, meu coração acelerou como se a minha vida dependesse disso, a adrenalina atingiu um nível tão elevado que meu corpo instintivamente correu para onde estava o som e à medida que corria contra o vento minha visão voltava ao normal.
Foi quando encarei, estava a mercê em um campo avermelhado pelo calor do fogo sobre uma montanha onde rios de lava corriam com afluentes para todos os lados, uma criatura de chifres e olhos minúsculos, tentava com suas presas destruir um pequeno abrigo a qual rapidamente pensei que fosse de onde saia aquela voz feminina.
- Ei! – Gritei no instinto, sem pensar nas conseqüências.
O animal virou e me olhou fixamente, mais parecia determinado a destruir aquele abrigo de pedras naturais que aparentavam ser tão quente quanto uma pedra de fogueira.
- Me ajuda! – escuto a voz vindo do abrigo, de fato ela estava lá! Meu coração palpitou mais rápido ao escuta-la e sem pensar peguei uma enorme pedra e arremessei contra seu torso.
Ele virou-se na mesma hora que lhe atingiu, mas acredito que não lhe tenha feito qualquer dano real. Ele era maior do que eu via ao longe, estava com o pescoço baixo para conseguir alcançar seu alvo, a verdade, era que ele possuía pelos grossos por todo o corpo, mas não abaixo de seu pescoço e possivelmente pela sua parte inferior inteira. Parecia um bisão, mais possuía escamas reptilianas, pelo e olhos pequenos como de um carneiro, seus chifres não tinham qualquer simetria, era ao todo uns 15 ganchos que variavam entre pequenos e grandes, seu hálito era cinza e sua cor era uma mistura de cinza e castanho escuro malhado e andava em quatro patas. Eu não sabia identificar o que era, não encaixava na minha crença como animal, portanto era um monstro, por mais que meus pais insistissem na minha infância de que monstros não existiam.
Ele pisou duas vezes contra o chão jogando poeira para trás, nesse momento uma língua bifurcada saiu rapidamente para fora e retornou, o que era aquilo eu repetia sem parar na minha mente quando finalmente pensei: isso só pode ser um sonho.
A criatura veio em minha direção com seus cifres afiados, não via como poderia desviar, mais se aquele sonho era meu, eu podia tudo!
Ele vinha soltando uma nuvem de poeira por trás, seus olhos me fixavam perfeitamente e seus percebia que os dedos de seus pés não era cascos como eu esperava, mais mãos reptilianas e aparentemente com polegares opositores, O que era aquela coisa?
Com todas as minhas forças Salto quando ele estava bem próximo de me atingir, sentia como se fosse varrido e dou varias voltas sobre meu próprio corpo, mas ele não havia me atingido, eu havia saltado como se não houvesse gravidade, e planava na minha descida, a pressão que me fez das voltas no ar, havia sido da força com o qual ele havia tomado de carga e com a mesma força que vinha ele usando sua locomoção reptiliana deu a volta por cima dos obstáculos e voltava com tudo para cima de mim. Dessa vez parecia não haver tempo de saltar, ele iria me agarrar com seus chifres e eu seria perfurado.
“mas isso é só um sonho eu pensei.”
- isso não é um sonho! – ela gritou – faça alguma coisa! – a voz brande de dentro do abrigo.
“não é um sonho” eu pensei pouco antes de ser atingido.
No momento do impacto, instintivamente abaixe-me para evitar seus chifres, mais senti o impacto de seu focinho como se fosse uma viga de construção me atingido no meu corpo esgueirado, sequer sabia quantas voltas havia girado no ar ou por quantos metros eu deslizei enquanto meu corpo rasgava pelas pedras quentes daquele lugar. E doía muito, sentia como se meus ossos houvessem destroçado por dentro e eu não acordava, por que eu não acordava?
Escutava os gritos da garota, dessa vez não era por medo do animal, era por mim, ela temia a minha morte. O Animal respirava ao meu lado, seu hálito cinza batia na minha pele corroendo a minha roupa como acido. Ele não me atacava mais, parecia saber que eu não podia ir para lugar algum.
O monstro virasse como se houvesse algo errado, a garota parecia está saindo de seu refugio e rapidamente o animal virasse deixando as costas para mim, mas por mais que eu tentasse eu não conseguia me levantar, ou mesmo enxergar o que estava acontecendo mais distante, mas pude escutar, os sons se distanciavam, eu ficava cada vez para trás, minha visão fica turva assim como todos os meus outros sentidos ficaram comprometidos a dor era como nunca havia sentido, como se a morte se aproximasse. Mais um barulho alto se aproxima, era difícil reconhecer, mas podia sentir claramente o chão vibrando.
“ele veio para finalizar o serviço” pensei contente, o sofrimento e a dor que eu sentia me fazia desejar a morte.
- Venha comigo – escuto claramente a voz doce da mulher. E sinto minha mãe encontrar a dele e rapidamente me sinto bem, a dor havia ido embora e meu corpo se sentia leve como uma pena.
Ela estava sobre um belíssimo animal, era uma montaria mas não identificava o animal, mas era como uma enorme leoa de cores distintas e diferentes como rosa, amarelo e azul em sua pelagem alaranjada, mais era toda simétrica nos dois lados do corpo do animal.
A garota sobre ele era tão fantástica como, a primeira coisa que me atinge são seus olhos, eram profundos como se guardasse a sabedoria do conhecimento vivido, e era alva, os cabelos era cachos perfeitos que desciam em sua face, possuía barroca nos dois cantos do rosto e seu sorriso era encantador e estranhamente possuía asas eram transparentes coloridas e reluzentes, uma mistura de asa de libélula com asa de borboleta era belo e encantador.
- Que bom que está vivo! Suba! – ela me puxa induzindo que eu subisse sobre o animal, que rapidamente o faço tomando cuidado com suas asas e segurando sobre sua cintura, mas o monstro já estava perto demais.
O animal corre o mais veloz que pode com uma aceleração espantosa que consegue manter a distancia do monstro por poucos segundos de diferença, próximo ao monstro, percebo meu próprio corpo jogado ao chão, membros em locais que não deviam está uma carcaça humana e desfigurada fiquei confuso e desesperado e toquei no meu rosto em busca das cicatrizes, mais parecia esta normal. O monstro vinha ganhando distancia, se aproxima cada vez mais enquanto seu hálito cinza saia de sua boca denunciando seu cansaço, eu não tinha tempo pra desespero, ou para confusão tinha que encontrar uma forma de nós salvar.
- Quem é você? – eu grito para que ela pudesse me escutar com todo aquele deslocamento de ar que sentíamos. – Eu não sei! – Grita ela em prantos, suas lagrimas corriam pela sua face denunciando todo seu desespero.
Era estranho, sentia como se tudo aquilo, não fosse a primeira vez, aquela garota, sentia como se já conhecesse de anos atrás, e aquela situação me trazia as memórias, embaçadas em minha mente, mas clareando a medida que os passos do monstro se aproximavam.
- A estrada prateada! – Eu digo ao acaso enquanto as recordações vinham como torpedos a minha cabeça. – Temos que ir até lá! – Aponto para um fio de luz que via ao longe sobre o desfiladeiro
A garota sorri para mim e olhando para sua montaria ele automaticamente toma a direção até lá e a medida que nós aproximávamos, o monstro foi diminuindo a velocidade, até finalmente nos deixar para trás.
- Ele está parando! Você conseguiu! Você conseguiu! – E repentinamente a voz vai se tornando baixa e minha visão vai ficando clara como o branco que estávamos prestes a atravessar então eu acordo.









